sexta-feira, 6 de maio de 2011

Narradores de Javé: o povo aumenta, mas não iventa!

O filme brasileiro dirigido por Eliane Caffé conta, com muito humor, a história de um vilarejo e seu povoado que está preste a ser vítima do progresso: uma barragem está prestes a ser construída e o curso das águas passa justamente por este vilarejo! Visto que quase nada poderia ser feito para evitar a extinção do vale, eis que surge uma idéia em meio ao desespero: relatar os feitos históricos que foram passados de boca em boca. Então entra em cena o malandro Antônio Biá, que outrora expulso do vilarejo por difamar toda a cidade através de cartas para que o posto dos Correios onde trabalhava não fechasse, agora é a única pessoa apta para contar os casos do Povoado de Javé.
Entre tantas histórias cheias de fábulas e humor sobre as tradições do vilarejo contadas pelos moradores, fica difícil distinguir o que realmente faz parte da verdadeira fundação de Javé nessa tentativa de confrontar o progresso.
Em toda a história da humanidade, o povo sempre viveu na oralidade, as crenças, as histórias, as lendas eram passadas de pai para filho, resgatando apenas a memória do passado. Deste modo, a tradição oral vinculada a escrita fortalece as relações entre as pessoas, criando uma rede de transmissão de conhecimentos e modo de vida.
Ao final do filme, com o livro não escrito, a represa é construída. E, com muita tristeza, os moradores assistem à inundação da cidade, vendo toda a cultura, história e tradição serem levadas pelas águas em função do avanço tecnológico.

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